Os plexo nervoso subepicárdico, estava localizado no tecido subepicárdico junto ao miocárdio. Os preparados de membrana, submetidos à marcação enzimo-histoquímica para desidrogenase (NADH – tetrazolium reductase), permitiram observar os corpos neuronais com coloração azul-escura no citoplasma, apresentando diferentes intensidades. As células satélites, não se coraram, podendo-se às vezes reconhecer seus núcleos junto aos corpos neuronais (fig.23A).
Os gânglios cardíacos variam na forma, de arredondados a triangulares ou alongados (fig. 23). Os neurônios estavam, em sua grande maioria, agrupados nestes gânglios, 28% dos quais isolados. Apenas 14% dos gânglios apresentavam dois neurônios. O maior gânglio apresentava 108 neurônios. O número médio de gânglios por átrio analisado foi de 115 ± 16 (tabela 1).

| Figura 23. Preparado total de membrana evidenciando gânglios do plexo subepicárdico de cobaia com diferentes formas. A- Gânglio de aspecto arredondado e um pouco alongado. As setas indicam células satélites produzindo indentações em neurônios. B- Gânglio de aspecto triangular. C- Gânglio de aspecto acentuadamente alongado e um neurônio isolado (seta). (A- 380X; B- 150X; C- 150X) |
Localização dos gânglios subepicárdicos
Foram observados gânglios
em 7 regiões atriais, como evidenciado nos diagramas da figura 24.
O primeiro grupo de gânglios (grupo a), localiza-se na parede dorsal
do átrio esquerdo, caudalmente à desembocadura das veias
pulmonares (43% do total de gânglios nos 5 corações);
o segundo grupo (grupo b), ao longo do sulco interatrial (28%); o terceiro
grupo (grupo c), ao redor da desembocadura da veia cava cranial (10%);
o quarto (grupo d) localiza-se na parede dorsal do átrio esquerdo,
à esquerda das veias pulmonares esquerdas (7%); o quinto (grupo
e), na parede dorsal do átrio direito, caudalmente à veia
cava caudal (6%); o sexto grupo (grupo f), na parede dorsal do átrio
esquerdo, cranialmente às veias pulmonares (4%) e o sétimo
(grupo g), localiza-se entre as desembocaduras das veias pulmonares (1%)
(tabela 2).

| Figura 24. Esquema da distribuição dos neurônios na superfície do complexo átrio-auricular da cobaia, baseado em preparados totais de membrana, corados pelo NADH. São representados os grupos: a- parede dorsal do átrio esquerdo, caudalmente à desembocadura das veias pulmonares; b- ao longo do sulco interatrial; c- ao redor da desembocadura da veia cava cranial; d- parede dorsal do átrio esquerdo, à esquerda das veias pulmonares; e- parede dorsal do átrio direito, caudalmente à veia cava caudal; f- parede dorsal do átrio esquerdo, cranialmente às veias pulmonares; g- entre as desembocaduras das veias pulmonares. |
Número, tamanho e distribuição dos neurônios do plexo subepicárdico
Os neurônios cardíacos foram quantificados de acordo com as regiões descritas na tabela 2. A maior parte dos neurônios localiza-se caudalmente à desembocadura das veias pulmonares (grupo a) (453 ± 121). A região entre a desembocadura das veias pulmonares apresentou o menor número de neurônios (grupo g, 107). O número médio total de neurônios foi de 846 ± 201, variando de 415 a 1534 (tabela 3).

O tamanho (estimado indiretamente pela medida do perfil do corpo celular) das células nervosas variou de 69 a 838µm² e o tamanho médio foi 322 ± 10µm² (tabela 1). A distribuição de frequências para o tamanho dos neurônios encontra-se expressa no histograma da figura 25.

| Figura 25. Histogramas da distribuição média de frequências para o tamanho dos neurônios do plexo nervoso subepicárdico da cobaia. |
Arquitetura do plexo nervoso subepicárdico
A reação para a demonstração de fibras nervosas através do método de Karnovsky-Roots (reação para a acetilcolinesterase) foi positiva tanto em corpos neuronais como em fibras nervosas (fig. 26)

Os gânglios localizados
nas faces ventral e dorsal dos átrios, adjacentes à veia
cava cranial, estão interligados por fibras nervosas que contornam
assim a desembocadura deste vaso. No seio venoso, os gânglios também
estão interligados. Desta rede interganglionar, partem delicadas
e numerosas fibras nervosas, em direção à aurícula
direita, formando um rede de fibras aproximadamente paralelas entre si
(fig. 27).
Dos gânglios localizados
na face ventral, ao redor da veia cava cranial, partem numerosas fibras
que se dirigem à superfície ventral da aurícula direita.
Um tronco segue daí, em direção à aurícula
esquerda, e no seu trajeto envia poucas fibras ao septo interatrial. Na
face ventral da aurícula esquerda, a porção terminal
desse tronco apresenta-se pouco ramificada (fig. 27).
Os gânglios situados
na face dorsal, ao redor da veia cava caudal e veias pulmonares,
estão também interligados por feixes de fibras nervosas.
Destas partem fibras que se dirigem cranial e caudalmente, sendo que as
fibras craniais dirigem-se para as veias pulmonares e as fibras caudais
seguem para os ventrículos. Os ramos que vão aos ventrículos
passam ao longo do seio coronário; os ramos craniais, juntamente
com os ramos provenientes da rede interganglionar do seio venoso, formam
uma escassa rede que contorna as veias pulmonares (fig. 27).
Poucos gânglios
foram observados na extremidade mais distal do seio coronário. Destes
gânglios, partem feixes de fibras que contornam o óstio do
seio coronário e outros que se dirigem ao ventrículo esquerdo.
Tanto na face ventral como na face dorsal da aurícula esquerda,
ocorrem filetes nervosos aparentemente em menor número, em comparação
à aurícula direita (fig. 27).

| Figura 27. Esquema da distribuição dos gânglios e fibras nervosas na superfície do complexo átrio-auricular de cobaia, baseado em preparados de membrana, corados para AchE pelo Karnovsky-Roots. a) aurícula esquerda, b) aurícula direita, c) átrio esquerdo, d) átrio direito, e) septo interatrial, f) óstio átrio-ventricular direito, g) óstio átrio-ventricular esquerdo, 1) veia cava cranial, 2) veia cava caudal, 3) veias pulmonares, 4) seio coronário. |