Inicialmente, tornam-se necessárias algumas considerações a respeito da terminologia empregada pelos diversos autores, que utilizam diferentes espécies animais, quando se referem ao assunto em questão; estes autores não são unânimes ao diferenciarem de maneira precisa, a denominação das cavidades cardíacas nas quais o FNA (ou ANF-atrial natriuretic factor, ANP-atrial natriuretic peptides), é produzido e liberado, ou seja, ora aurícula, ora átrio, expressões estas usadas as vezes, aparentemente, como sinônimas; na presente pesquisa, utilizamos a expressão complexo átrio-auricular, de conotação mais genérica e mais de acordo com a Nomina Anatômica.
Aqueles que analisaram os aspectos funcionais da atividade átrio-auricular, tais como o papel da dilatação-contração de suas paredes (MERCEDES, 1991; LACHANCE & GARCIA, 1991; SCHIEBINGER E GREENING, 1992), efeitos da vagotomia (NAVARATNAM et al., 1968; SKEPPER et al., 1989), produção e liberação do FNA (CHIU et al, 1984; BLOCH et al. 1985; DE BOLD, 1985; STASCH et al., 1989; CHO et al. 1993), insuficiência cardíaca congestiva experimental (VERESS E SONNENBERG, 1984; AVRAMOVITCH et al., 1995) e outras abordagens experimentais, referiram-se frequentemente ao complexo átrio-auricular, como átrio. Por outro lado, autores que avaliaram aspectos morfológicos e quantitativos dos grânulos presentes nos miócitos cardíacos, tanto sob microscopia de luz como microscopia eletrônica, fizeram-no referindo-se às câmaras cardíacas em questão, como átrios ou aurículas.
Portanto, optou-se por uma padronização da nomenclatura, onde os aspectos funcionais dos átrios e aurículas em conjunto, foram avaliados no complexo átrio-auricular, e os aspectos morfológicos foram descritos nos átrios e aurículas, separadamente.
O fator natriurético
(FNA), um polipeptídeo presente em grânulos eletron-densos
no sarcoplasma dos miócitos atriais (DE BOLD, 1985), tem sido objeto
de diversos estudos que visam estabelecer, principalmente, seus efeitos
sobre o sistema cardiovascular [KISCH (1956), PALADE (1961), CANTIN et
al. ( 1979), DE BOLD et al. (1981), DE BOLD & FLYNN (1983), FORSSMANN
et al. (1984), SEYMOUR (1985), SKEPPER & NAVARATNAM (1988), CASTAGNARO
et al. (1990), GILLOTEAUX et al. (1991), SEUL et al. (1992), JIAO et al.
(1993), CHIU et al. (1994), AVRAMOVITCH et al (1995), KECSKEMETI et al.
(1996), BENVENUTI et al. (1997), YOSHIHARA et al. (1998), FORSSMANN et
al. (1998)].
Por outro lado, sob o
aspecto da cinética celular, a relativamente escassa literatura
existente, tem como ponto de partida as observações de PALADE
(1961), que descreveu esses grânulos como ocorrendo em grande número
no sarcoplasma perinuclear, em íntima associação com
as mitocôndrias e com as cisternas do complexo de Golgi. Os grânulos
contém material eletron-denso, homogêneo ou de textura finamente
granular, e são envolvidos por membrana dupla (PALADE, 1961). Segundo
BERGER & RONA et al. (1971), podem ser tipificados em grânulos
do tipo A, B, C e D, onde os grânulos-A apresentam conteúdo
muito denso e algumas vezes retraído, deixando um halo entre este
e a superfície interna da membrana; grânulos-B apresentam-se
pálidos e fibrogranulares; os grânulos-D caracterizam-se pelo
menor diâmetro e conteúdo denso. Os grânulos-C são
corpos residuais. Para KISCH (1956), muitos desses grânulos são
arranjados em fileiras ou aglomerados semelhantes a cachos, e não
são encontrados nos cardiomiócitos dos ventrículos.
AVRAMOVITCH et al. (1995), ao analisarem os miócitos das aurículas
de ratos submetidos a uma situação de insuficiência
cardíaca congestiva experimental, verificaram que os miócitos
apresentaram-se hipertróficos e com elevada quantidade de mitocôndrias;
a maior concentração de grânulos foi observada em áreas
perinucleares, sendo que a densidade deles decresceu nas regiões
periféricas das células.
Os dados da presente pesquisa confirmam as observações de KISCH (1956) e PALADE (1961), pois verificamos que a região perinuclear das células atriais apresentavam-se margeadas por mitocôndrias, lamelas do complexo de Golgi, numerosos grânulos e vesículas translúcidas, semelhantes a vesículas de transporte, além de diversos miofilamentos associados aos grânulos, semelhantes ao descrito por CASTAGNARO et al. (1990), em outras espécies. As vesículas translúcidas que encontramos na região perinuclear, também foram encontradas próximas às lamelas do complexo de Golgi, mitocôndrias, grânulos atriais específicos, miofilamentos e junto à superfície celular. É possível que estas vesículas estejam associadas ao complexo de Golgi. Entretanto, tal confirmação somente pode ser feita com a utilização de técnicas específicas.
Ao comparar os resultados obtidos com aqueles de AVRAMOVITCH et al. (1995), pode-se admitir que a elevada quantidade de mitocôndrias e a diminuição da densidade dos grânulos na periferia das células por ele relatadas, estão intimamente relacionadas ao aumento da atividade de produção e liberação do FNA; isto por que se admite que as mitocôndrias têm seu número proporcionalmente relacionado à uma maior ou menor atividade de síntese dos grânulos e que estes, ao liberarem o seu conteúdo, provavelmente devido à uma exacerbação da atividade mecânica do miocárdio, desaparecem da periferia celular (SCOTT & JENNES, 1987; IIDA et al., 1988; SKEPPER et al., 1989; GILLOTEAUX et al., 1991).
A presença do FNA nas células atriais identificado pelo método da peroxidase-antiperoxidase observada à microscopia de luz por CANTIN et al. (1984) e por CHAPEAU et al. (1985), caracterizada por granulações que se concentram nas aurículas e por cardiócitos da região subepicárdica, contendo uma maior quantidade de granulações em relação àqueles da região média e subendocárdica, não foi confirmada no presente trabalho. Os nossos achados apontam para maior quantidade de cardiócitos imunomarcados próximos ao lume auricular, semelhante ao descrito por BIANCHI et al. (1985), que utilizaram método radioautográfico.
A distribuição
dos grânulos atriais específicos nas câmaras cardíacas
é motivo de controvérsias. Assim, no presente trabalho, foi
observada maior quantidade de grânulos marcados nas aurículas
em relação aos átrios o que está de acordo
com a imunomarcação verificada por RINNE et al. (1986) e
CHIU et al (1994); estes autores admitem que a quantidade de grânulos
marcados decresce da aurícula direita para a esquerda e do átrio
direito para o esquerdo. Por outro lado, CANTIN et al. (1984), notaram
no coração da cobaia, maior número de células
marcadas no complexo átrio-auricular esquerdo em relação
ao direito. Já os resultados de SKEPPER et al. (1989), que analisaram
os efeitos da vagotomia combinada com a expansão volumétrica
do complexo átrio-auricular e as duas variáveis separadamente,
indicam não ocorrer diferença estatística de um lado
em relação ao outro, quanto ao número de grânulos.
Para esses autores, os efeitos da vagotomia combinada com a expansão
volumétrica das cavidades do complexo átrio-auricular determinaram
significante redução na concentração do FNA
em ambas as cavidades do complexo átrio-auricular. Ao analisarem
as duas situações isoladamente, notaram que o átrio
direito liberou mais FNA que o átrio esquerdo, o que lhes permitiu
concluir haver indícios de que o átrio direito é a
fonte maior de FNA, não por apresentar o peptídeo em maior
quantidade, mas por responder com maior intensidade às mudanças
mecânicas e nervosas (estímulo vagal). As observações
de AVRAMOVITCH et al (1995), são concordes com o descrito por SKEPPER
et al. (1989), uma vez que o padrão de distribuição
dos grânulos por eles observados em animais normais, era similar
nos complexo átrio-auricular direito e esquerdo. VERESS & SONNENBERG
(1984), admitem, como SKEPPER et al. (1989), que a aurícula direita
é funcionalmente mais ativa que a aurícula esquerda.
Devido a essas opiniões
divergentes, não parece ser de grande importância a determinação
de qual aurícula libera maior quantidade desse hormônio sem
considerar as peculiaridades próprias de cada espécie; por
outro lado, os achados morfométricos da presente pesquisa, sugerem
que a superfície interna das aurículas é bem maior
do que a dos átrios, levando a se admitir indiretamente a predominância
funcional das aurículas sobre os átrios, no que diz respeito
a produção do FNA; assim, STEWART et al. (1992), verificaram
em cães, que a retirada bilateral das aurículas elimina a
liberação do FNA. Além disso, esses autores acreditam
que, não somente as aurículas predominam funcionalmente,
como também, para que ocorra a liberação do FNA em
quantidades suficientes para produzir diurese e natriurese, elas devem
sofrer ampla dilatação de suas paredes. SCHIEBINGER &
GREENING (1992), também afirmam que há maior secreção
de FNA durante a dilatação das paredes do complexo átrio-auricular;
SEUL et al (1992), avaliaram os efeitos da elevação da pressão
no complexo átrio-auricular em ratos, verificando acentuada liberação
deste polipeptídeo como resultado de mudanças nas propriedades
do processo de dilatação-contração das paredes
deste complexo.
Os dados morfométricos aqui apresentados, relacionados à dilatação das paredes do complexo átrio-auricular, defendida pelos autores já mencionados e que segundo eles seria necessária para uma liberação do FNA, devem ser analisados em conjunto com a mioarquitetura aqui estudada, esta como vimos, apresenta no átrio arranjo que difere consideravelmente daquele da aurícula. Foi descrito para os átrios disposição de feixes delgados e esparsos dispostos uniforme e paralelamente ao eixo transversal, enquanto que para as aurículas, o arranjo é mais denso e complexo, formado por traves multidirecionadas ou em forma aproximada de rede. Isto posto, pode-se inferir que as aurículas desempenhariam um papel mecânico mais importante na dinâmica de liberação do FNA, tanto ao se dilatarem como ao se contraírem, o que seria feito de maneira concêntrica; os átrios além disso apresentam menor quantidade de grânulos, o que é sugestivo de menor produção do FNA. Acrescente-se a isso, a maior superfície interna das aurículas em relação aos átrios. TANAKA et al. (1986) em humanos e CHO et al. (1991) em coelhos, avaliaram a pressão atrial, a dilatação das paredes do átrio e a frequência de contração, e sugeriram que o principal estímulo para a liberação do FNA, é o aumento da frequência de encurtamento dos cardiomiócitos.
A relação entre o número de neurônios marcados pelo NADH, ou a quantidade de fibras colinérgicas demonstradas pela reação à AChE, com a quantidade de liberação de FNA não pôde ser estabelecida tanto no lado esquerdo como no direito; isto porque não se observou predominância evidente de fibras nervosas em nenhum dos lados, muito embora um grande número de neurônios tenha sido identificado preferencialmente no átrio esquerdo. Os estudos de LANG et al. (1985) e de LEDSOME et al. (1985) podem dar apoio a essa idéia de aparente dissociação entre essa inervação e a produção do FNA quando demonstraram em ratos que a contração induz à secreção do FNA mesmo com o coração livre de estímulos nervosos, após desnervação do órgão.
A contração da musculatura atrial já é por si só estímulo suficiente para que ocorra a liberação do FNA; entretanto, foi sugerido que um somatório de contração mais o estímulo extrínseco, ativem ambas as cavidades atriais de forma mais eficaz (SKEPPER et al.,1989). As bases morfológicas que explicam as conexões do nervo vago com o plexo cardíaco subendocárdico aguardam ainda maiores esclarecimentos, visto que a própria descrição do plexo intrínseco do coração é assunto ainda em discussão. No presente trabalho, são fornecidos dados a respeito deste plexo, restando entretanto, analisar ainda, quais as relações entre ele e o “plexo do hilo do coração” (PAUZA et al., 1997), e as destes com as eferências vagais.
As observações
ultra-estruturais do nosso trabalho podem ser comparadas, em parte, às
de GILLOTEAUX et al. (1991), ao afirmarem que a proximidade dos grânulos
atriais específicos ao sarcolema, a fusão da membrana destes
com o sarcolema e a presença de um material amorfo semelhante à
secreção, detectado no endomísio e espaço subendocárdico,
sugerem processo de exocitose. Suas observações complementam
descrições prévias de IMADA et al. (1988) e NEEDLEMAN
et al. (1989), ao demonstrarem que o FNA é eliminado pelos miócitos
atriais, via exocitose. Esses autores concluem, sugerindo que o FNA seria
liberado pelo processo de emiocitose, onde, após a difusão
através dos espaços subendocárdico e subepicárdico,
seria transportado através do endocárdio, epicárdio
e endotélio dos vasos para o sangue, por um mecanismo de endocitose,
mediada por receptor. Sugerem ainda, que os revestimentos endoteliais dos
átrios podem desempenhar um papel importante no controle do transporte,
na ativação do pró-hormônio e na liberação
do FNA na corrente sanguínea. Os dados do presente trabalho, relativos
a utilização de marcação com lantânio,
azul alcian e vermelho de rutênio, são sugestivos de que haja
caminhos pérvios entre os miócitos, uma vez que foi observada
a presença de material eletrondenso nos espaços intercelulares
e junto às membranas. A permeabilidade não restringiu-se,
entretanto, somente aos espaços, pois a presença desses marcadores
foi verificada também em junções semelhantes a desmossomas.
Em relação
ao endocárdio de fetos e neonatos de hamster, GILLOTEAUX & LINZ
(1989), admitem que as células são convexas para a superfície
livre, apresentando elevações nucleares centrais e extensões
citoplasmáticas pouco acentuadas; no adulto, o endocárdio
está formada por uma camada de endotélio escamoso, com a
presença de microvilos. Correlacionaram esses microvilos com o papel
do endocárdio como barreira que controla as trocas metabólicas
entre os miócitos e o sangue, incluindo o FNA. Os dados da presente
pesquisa estão de acordo com essas observações, uma
vez que tanto na superfície atrial como na auricular da cobaia,
notamos também saliências ovaladas dos núcleos das
células endoteliais, com nítidos limites entre elas; foram
observadas ainda, pequenas saliências distribuídas irregularmente,
semelhantes a microvilos.
Ao estudar a superfície
endocárdica, MAGUIRE (1972), demonstrou que o endocárdio
representa uma entidade estrutural específica com diversas formas
celulares que o diferenciam do endotélio vascular, principalmente
pelas suas amplas projeções e margens, bem como pela presença
de forames das veias cardíacas mínimas. Verificamos que na
cobaia a superfície endocárdica das aurículas, através
da microscopia eletrônica de varredura, apresentou semelhantes irregularidades.
Para esse autor, os diminutos forames venosos observados no endocárdio,
pelos quais não penetrariam eritrócitos, podem ser artefatos
de técnica, devido ao enrugamento do tecido cardíaco durante
sua preparação. Os forames encontrados no presente estudo
eram bastante amplos, podendo caracterizar orifícios de passagem
do sangue, uma vez que foram evidenciados vasos injetados com metacrilato,
desembocando na cavidade do complexo átrio-auricular. A esse respeito,
deve-se ressaltar que a técnica de corrosão aqui empregada
para a obtenção de moldes de resina constitui-se em valioso
método para o estudo de imagens tri-dimensionais da microvasculatura
dos diversos tipos de tecido, oferecendo várias vantagens sobre
outros métodos de perfusão vascular. Desta forma, a tortuosidade
acentuada observada nos vasos das aurículas, provavelmente represente
uma adaptação dessas estruturas ao processo de dilatação-contração
que ocorre nas paredes dessas cavidades. Além disso, a presença
de vasos de maior calibre próximo à superfície endocárdica
e a densa rede de vasos de menor calibre situada em relação
à superfície epicárdica, constituem um arranjo semelhante
ao verificado para outras estruturas, como descrito por FERRAZ DE CARVALHO
et al. (1994) na transição esôfago-gástrica,
em que os vasos de maior calibre na mucosa e submucosa do esôfago
desempenhariam funções específicas.
Pelo exposto, as abordagens
utilizadas e os métodos de análise empregados para o estudo
do complexo átrio-auricular da cobaia, demonstraram a complexidade
morfológica e funcional desta região do coração.
O arranjo muscular e principalmente o vascular, bem como o relevo da superfície
interna dessas câmaras cardíacas nos reportam a uma arquitetura
que lembra a de órgãos glandulares: uma densa trama vascular
associada a um complexo relevo interno das aurículas o que aumentaria
muito a sua superfície interna e, consequentemente, a sua capacidade
de secreção.
Tornam-se cada vez mais
úteis os achados morfofuncionais acerca do complexo átrio-auricular,
visto que tem-se observado em trabalhos relacionados às cirurgias
cardíacas (COX et al. ,1991; McCARTHY et al., 1993; YOSHIHARA et
al., 1998) uma crescente preocupação com os efeitos agudos
e crônicos da diminuição na liberação
do FNA e consequente desequilíbrio nas funções renais
ligadas ao controle do fluido corporal, decorrentes de cirurgias cardíacas
onde se procede a uma retirada das aurículas.
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